Deputado Diego Guimarâes aparece entre os parlamentares que destinaram milhões ao instituto investigado.
O avanço das investigações sobre possíveis desvios de emendas parlamentares em Mato Grosso colocou sob forte questionamento a relação entre agentes políticos e entidades do terceiro setor. Entre os nomes que passaram a ser questionados está o do deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos).
O motivo é o expressivo volume de recursos destinado pelo parlamentar a institutos e associações. Entre 2024 e 2025, somente o Instituto Social Mato-Grossense (ISMAT) recebeu R$ 6,34 milhões em emendas indicadas por Diego. A entidade foi alvo de busca e apreensão no contexto da Operação Gorjeta e posteriormente apareceu no centro da Operação Emenda Oculta.
Mas o ISMAT não seria um caso isolado. Levantamento baseado em dados oficiais de transparência apontou que estranhamente Diego Guimarães destinou R$ 11,85 milhões em emendas a institutos e associações somente em 2025, distribuídos entre pelo menos sete entidades.
É justamente esse volume que levanta uma pergunta inevitável: por que uma parcela tão significativa das emendas do parlamentar foi direcionada ao terceiro setor e, principalmente, quais critérios foram utilizados para escolher essas instituições?
As investigações conduzidas pelo Ministério Público de Mato Grosso apuram suspeitas de que emendas tenham sido direcionadas a institutos e posteriormente movimentadas por empresas, com eventual retorno de valores a agentes políticos. No caso da Operação Emenda Oculta, os investigadores apontaram o ISMAT e o IBRACE entre as entidades envolvidas na apuração.
Diego Guimarães não foi alvo das buscas realizadas em abril de 2026, e a simples destinação de emendas ao ISMAT não significa, por si só, prática ilícita. Ainda assim, o tamanho dos repasses coloca o deputado diante de uma cobrança política e pública legítima: explicar detalhadamente onde foram parar milhões de reais destinados por seu mandato.
A própria Justiça determinou bloqueio de até R$ 720 mil envolvendo investigados e, de forma solidária, ISMAT, IBRACE e uma empresa citada na investigação.
Enquanto as autoridades rastreiam documentos, contratos e movimentações financeiras, permanece no ar uma questão que interessa diretamente ao contribuinte: os milhões destinados por emendas cumpriram integralmente a finalidade pública para a qual foram aprovados?
A resposta, neste momento, depende do avanço das investigações e da análise dos documentos. Mas uma coisa já está posta: o volume de dinheiro público direcionado por Diego Guimaraes ao terceiro setor, enfim à empresas alvo de operação policial deixou de ser apenas uma estatística e passou a exigir explicações mais detalhadas.



